Acorjuve instala guarita para fiscalizar retirada de madeira

29-06-2011 21:39

A Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (ACORJUVE) decidiu combater a exploração ilegal de madeira e instalou na estrada que liga Juruti Velho a Parintins uma guarita a fim de impedir a saída de caminhões carregados de madeira retirada ilegalmente da floresta. A extração da madeira, de acordo com a ACORJUVE, tem sido feita por madeireiros das cidades de Juruti e de Santarém. 

            A fiscalização é feita durante o dia e a noite por um grupo de comunitários da região de Juruti Velho ligados à ACORJUVE. “Os comunitários são responsáveis para abrir o portão da guarita para a passagem dos carros. Qualquer pessoa, qualquer veículo pode passar na estrada. Só é proibida a passagem de caminhões carregados de madeira. Seja lá quem for que tente passar com madeira na estrada, os comunitários fazem a apreensão do produto”, enfatizou Gerdenor Pereira, presidente da ACORJUVE.

            Levantamento feito pela ACORJUVE mostrou que a atuação ilegal de madeireiros tem sido grande em Juruti Velho. Na floresta, ramais foram construídos para facilitar a passagem dos caminhões. O desmatamento já atinge grandes áreas. Uma vistoria feita recentemente pela associação em uma área do PAE Juruti Velho detectou, por exemplo, que árvores nobres, como Pau D’Arco, estavam demarcadas para serem derrubadas nos próximos dias. No entanto, a ação imediata da ACORJUVE conseguiu impedir que o crime ambiental fosse concretizado. “Conseguimos a tempo construir essa guarita que tem impedido a derrubada e a saída dessa madeira”, disse Gerdenor. 

            No PAE Juruti Velho, a saída da madeirada ilegal tem sido feita pelas estradas que dão acesso a Parintins, no Amazonas, e à comunidade de Prudente. Perguntado sobre a possibilidade de instalar uma guarita na estrada que dá acesso à comunidade de Prudente, Gerdenor informou que, por enquanto, não há necessidade, pois a fiscalização naquela área tem sido feita pelos próprios comunitários.

            A retirada ilegal de madeira na região do PAE - Projeto Agroextrativista Juruti Velho tem sido constante. Madeireiros aproveitam a pouca fiscalização que há no local para retirar toras de madeira considerada nobre. Nas comunidades de Prudente, Galileia, Surval e nas áreas Mutum, Pacoval a presença de madeireiros tem causado sérios problemas ambientais com a abertura de ramais e o desmatamento de grandes áreas da floresta. A atuação dos órgãos competentes tem deixado a desejar, pois não há agentes de fiscalização suficientes para atuar em toda a região do município de Juruti. 

            Outra preocupação da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho tem sido a ação de madeireiros na região da Gleba Curumucuri, pois lá também a fiscalização é precária o que facilita a ação de madeireiros ilegais. A ideia, segundo Gerdenor, é verificar junto com a Associação da Gleba Curumucuri a possibilidade de instalar naquela região uma guarita semelhante a que foi colocada na estrada que liga Juruti Velho a Parintins. 

            A estrada de acesso a região foi construída pelo multinacional para garantir a passagem dos caminhões carregados de bauxita. Através de ações de fiscalização, a ACORJUVE conseguiu apreender 25 toras de Pau D´Arco; 05 toras de Guaruba; 420 pranchas de madeira, sendo 100 pranchas de Pau D’Arco, 80 de muiracatiara, 40 de angelim; e 20 esteios de Itaúba. 

Força Tarefa é enviada para Juruti Velho

No período de 20 a 23 de junho, integrantes de órgãos que compõem a Força Nacional estiveram na região do Projeto Agroextrativista Juruti Velho. INCRA, IBAMA, Polícia Federal e Força Nacional enviaram representantes a fim de verificar de perto a exploração ilegal de madeira. 

            O presidente da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho, Gerdeonor Pereira, avaliou positiva a atuação da Força Tarefa, principalmente pela pouca atuação dos órgãos competentes em virtude da falta de estrutura e de pessoal para atender a todo o município de Juruti. Integrantes da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho, acompanharam a atuação da Força Tarefa Nacional e estão confiantes na diminuição de crimes praticados e que foram detectados pelo IBAMA e INCRA.