Empresas da família Hage dominavam licitações na Alepa

04-06-2011 08:26

Em quase dois meses de investigações, o Ministério Público Estadual (MPE) vem encaixando as peças do quebra-cabeça e já conseguiu elaborar parte do organograma das fraudes na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Um dos esquemas em vigor entre 2005 e 2006, durante a gestão Mário Couto (PSDB), atual senador, envolveu toda a família da então membro da comissão de licitação da Assembleia Legislativa, Daura Hage, que o MPE aponta ter se beneficiado, junto a familiares envolvidos no esquema, com cerca de R$ 8 milhões dos recursos da Alepa. 

            Segundo as investigações, a família Hage se locupletou do dinheiro público, através de licitações fraudulentas com cartas marcadas para contratar cinco empresas, cujos titulares eram o então marido de Daura Hage, José Carlos Rodrigues, o cunhado dela, Josimar Pereira Gomes, Williame Tiago Hage Gomes e Willy Tatiane Hage Gomes, filhos de Josimar e sobrinhos de Daura Hage.

            As empresas J. C. Rodrigues de Souza, Real Metais Serviços Técnicos Ltda, Tópicos Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda, JW Comércio de Material de Construção e Serviços Ltda. e JTW Gomes Comercial e Serviços, usufruíram do dinheiro da Alepa por intermédio de Daura Hage, que comandou todo o esquema, de acordo com os promotores que investigam o caso, Milton Menezes e Arnaldo Azevedo.

            Esta semana o MPE fez nova ação de busca e apreensão de documentos e equipamentos para desvendar as fraudes da Alepa. Desta vez, foram recolhidas provas nas casas de José Carlos Rodrigues, em Mosqueiro, onde ele reside desde que se separou de Daura Hage, e de Josimar Gomes, casado com Sada Hage, irmã de Daura. A casa, localizada no conjunto Médici I, no bairro da Marambaia, deveria ser a sede das empresas Real Metais, cujos proprietários são o ex-marido de Daura, José Carlos e Josimar Gomes, e JW Comércio e Serviços Ltda, de sociedade de Josimar com a filha Willy Tatiane, sobrinha de Daura. Mas o local é apenas a residência do casal, onde os promotores recolheram cheques, documentos da Alepa, equipamentos e computadores.

            Também consta na documentação das empresas que o local seria sede da empresa JTW Gomes, propriedade de Williame Thiago Hage Gomes, filho de Josimar, sobrinho de Daura.

            A empresa Tópicos Comércio de Gêneros Alimentícios seria de propriedade de José Carlos e Josimar Gomes, mas em 2008 alterou o contrato: saiu José Carlos e ingressou como sócio-proprietário Anailson Barbosa, irmão de Adailson Barbosa, considerado amigo pessoal e braço direito de Daura Hage.

            Na casa de José Carlos, em Mosqueiro, os promotores encontraram documentos da Croc Tapioca, outra empresa formada para fornecer tapioca à Alepa, mas que ainda não foram analisados.

            Segundo os promotores, todas as cinco empresas pertenciam à família de Daura Hage, o que configuraria impedimento legal, já que, como membro da comissão de licitação, ela não poderia ter familiares participando de concorrência pública na Alepa.

            Daura Hage é prima do deputado estadual Júnior Hage (PR), atual titular da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seter), por sua vez filho de Rosa Hage, conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), onde foi presidente. Rosa também foi deputada estadual e esposa de José Alfredo Hage, ex-prefeito de Almeirim e ex-deputado estadual. Daura também é prima de Gandor Hage, irmão de Júnior Hage e ex-prefeito de Prainha e Almeirim. Fonte - DOL